sábado, 15 de janeiro de 2011

"Ficar sozinho, longe de familiares, de apoios específicos que somente a família pode fornecer, pode ser uma fonte de amadurecimento (às vezes precoce)."

 Lembro-me dele, super concentrado e compenetrado, recitando "O navio negreiro" no palco do seminário. Depois utilizou esta característica e tudo o mais que aprendeu no ex-SIC para construir uma fecunda vida profissional que culminou num importante trabalho social.


Suas respostas estão repletas de recordações factuais, incluindo a citação dos personagens. Um deles, leitor, poderá ser você. Será? Isso você só saberá lendo-as até o final

  • Quando entrou para o ex-SIC?
Em 1961. Fiz o exame para a primeira série e não passei e assim tive de cursar o Admissão.
  • De que cidade/paróquia?
Paróquia de Santo Antonio de Itapira.
  • Por que entrou para o seminário?
O pároco da Matriz de Santo Antônio era o Padre Matheus, recém-saído do Seminário aonde havia sido Orientador de Disciplina (era esse mesmo o nome?) e isso talvez o tenha estimulado em trabalhar com os coroinhas sobre o ingresso no Seminário. Itapira, como outras cidades, enviou um grande número de crianças e adolescentes. Quando fui para o Seminário já se encontravam lá o Butti (Padre Butti infelizmente precocemente falecido quando exercia seu sacerdócio em Araras, SP) e o Nereu (mais antigos), mas também o Anísio Moraes, o Cidinho Osti, o José Ítalo Silvestrim (poeta), o Joel Vidotto, O Leão Amorim, o Laércio Turolli. Depois, o Antonio Costa Machado (Costinha), o Glauco Ceragiolli, o Sérgio Risola (hoje vive em Brasília), os irmãos Moraes, o Giovelli (Nikita Bambu) Hélio Citrângulo. Será que esqueci de alguém? Eu estava nesse meio.
  • Quantos anos tinha quando entrou?
Com 12 anos. O quê sabia de opções ou escolhas na vida?
  • Quando saiu do ex-SIC?
Em meados de 1965.
  • Quantos anos tinha quando saiu?
16 anos.
  • Por que saiu do seminário?
Fui aconselhado pelo padre Vanim. Fazia muita bagunça, vivia sendo repreendido. No fundo considerava que não tinha mesmo vocação. A cada retorno de férias ficava mais difícil voltar; o mundo de fora se apresentava muito sedutor no sentido de ser mais aberto e de mais opções.
  • O que aprendeu no ex-SIC?
Muito e muito. Mesmo não sendo um aluno de ponta (para se usar um termo atual) tal como eram considerados o Gessé e o Gérson, tudo contribuiu no que se refere à educação ao estudo. Para se ter uma idéia quando fui fazer o Colegial no Instituto de Educação Elvira Santos de Oliveira de Itapira, considerado um dos melhores da região da Mogiana, era como passar faca quente na manteiga. O estudo diário, o estudo dirigido, as pesquisas, feiras de ciências e de letras que participávamos, o aprendizado dos primeiros anos de Latim, enfim, foi de fato uma base sólida para a vida acadêmica posterior.
  • O que faltou aprender?
Creio que dentro da proposta do Seminário, estava tudo completo, já que o objetivo era a formação de padres. Temos que ver dessa ótica. O Seminário não era uma escola comum. Era mais que isso. O compromisso não era apenas com o estudo, mas, além dele, sobretudo, com a vocação.
  • O que fez depois que saiu? Estudou o que?
Por um tempo fiquei parado, sem rumo. Penso que esse deve ter sido um problema comum dos que saíram do Seminário. Você sai, não tem amigos ou referências de colegas, de locais de freqüência, etc. Por um tempo continuei indo à Igreja como se fosse um seminarista. Depois, a gente foi constituindo uma nova rede de relacionamento, principalmente na vida escolar. Mas, no meu caso, embora tenha participado de teatro no Seminário, concursos do Grêmio Literário Dom João Batista Correa Nery (ganhei dois prêmios de declamação; uma com Pássaro Cativo de Bilac e outra com A Fazenda (não lembro o autor). O Navio Negreiro que Rocha menciona, foi declamado numa peça de teatro apresentada num Dia das Mães. Os prêmios do concurso foram um passeio a uma livraria da cidade para escolha de um livro. Num escolhi Sem Família e no outro concurso (que fiquei em segundo lugar) A Cabana do Pai Tomas), me sentia muito tímido, recatado e demorou um bom tempo para entrosar e conviver dentro de alguns valores diferentes daqueles existentes no Seminário.
  • Qual sua trajetória profissional após a saída do ex-SIC? Trabalha ainda?
Por um tempo fiquei parado, sem saber o que fazer. Servi o Exército (na confissão de Páscoa dos soldados fiz minha confissão com o Padre Canoas). No Exército encontrei também com o Flademir Castelani (era profundo conhecedor de orquídeas), que servia na mesma Bateria. Depois, fui trabalhar em um conhecido Hospital Psiquiátrico da cidade. Aí descobri minha vocação (“De médico e louco todo mundo tem um pouco”). Cursei Psicologia na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), aonde também fiz o Mestrado em Educação (comecei o Doutorado, mas abandonei para me dedicar à clínica). Assim que me formei lecionei por cinco anos na UNIMEP e em 1978 também lecionei na Faculdade de Medicina de Itajubá, MG. Na UNIMEP reencontrei duas pessoas da época de Seminário: O Bressanzinho, que foi para lá lecionar Psicologia Organizacional e o Padre Nadai que havia feito Mestrado em Abordagem Centrada na Pessoa na Gregoriana de Roma. Não chegou a lecionar para minha turma, mas mantivemos contato durante o período em que esteve em Piracicaba. Em 1983 fui convidado a trabalhar no conceituado Instituto Bairral de Psiquiatria (o mesmo hospital que descobri minha vocação). Neste hospital desenvolvemos um trabalho modelar no campo do tratamento das dependências de álcool e outras drogas. Desde então, tenho dedicado a esse campo. Produzi textos (livro e cerca de 40 trabalhos científicos) sobre o tema. Foi no final dos anos 90, ao trabalhar num projeto de prevenção do município que revi o Valdemar Sibinelli em Campinas na EPTV. Em 2005, já aposentado (aposentei em 1995), o Secretário de Saúde do Município de Itapira convidou-me para implantar o Centro de Atenção Psicossocial para Dependentes de Álcool, Tabaco e Outras Drogas no município. Fiz pós-graduação em Saúde Mental pela UNICAMP e estamos nesse trabalho de ajuda aos dependentes de drogas desde então. Temos preocupado mais recentemente com o envolvimento de crianças e adolescentes na questão das drogas, os quais constituem não apenas usuários, mas que traficam para os adultos que se escondem sob a fragilidade dessas crianças. Estamos firmes nesse caminho.
  • Casou? Tem filhos? Netos?
Casei em 1980 com a Heloisa que também é psicóloga. Tenho dois filhos, a Danielle que é fisioterapeuta e o Gabriel que é formado e trabalha em Ciências da Computação. Não tenho netos.
  • Quais as recordações mais marcantes do tempo de ex-SIC?
Uma das coisas que me fascinava era o Setor Rádio desenvolvido, entre outros, pelo Veríssimo (Cônego Veríssimo), pelo Jamil Sawaya (narrador esportivo) e o Felício, o grande comentarista e conhecedor de esportes. Eu gostava de contribuir, mas era barrado pelo fato de ser um médio e eles serem dos maiores. Gostava de participar de jornal da classe ou do jornal do Seminário que o Veríssimo coordenava. Se não me falha a memória o nome do jornal mural era O Recreativo; o da classe era O Arauto. Essa vontade de escrever de participar de teatro foram fundamentais na vida quanto ao registrar minhas reflexões de meu trabalho e com isso produzido artigos.
Os sábados eram bons porque as aulas eram suspensas, mas havia a limpeza: lavagem, rodo, escovão, etc. Quando a gente pegava aquele imenso refeitório...
Os domingos eram legais até o final do jogo da tarde, geralmente uma das equipes do Seminário contra uma equipe de fora. Mas, depois, era uma tristeza.
A época de junho era um frio de fazer rachaduras nos lábios (como ventava no Paieiro! E aumentava muito o consumo de manteiga de cacau). Em junho havia a Festa Junina, recheada de fogos de artifícios gentilmente doados pela família do Mancini de Leme (Fogos Ypiranga). De lá do final do campo de baixo podíamos às vezes ver o Zé Marmita, lembram dele?
Refrigerante somente quando de festas dos maiores, médios e menores. Fora isso, a gente se enganava com sal de Fruta Eno porque parecia ter um gosto que lembrava vagamente o de uma sodinha.
Muito esperada era a Festa de Natal. Além dos enfeites do artista Zocchio, a festa (uma ceia permeada de músicas) era um atrativo principalmente para os menores, sem contar que no dia seguinte íamos de férias.
Tinha muitos companheiros com quem jogávamos o jogo de botões. Fazíamos campeonatos sobre uma mesa de pedra com bolinha redonda. Lembro de alguns colegas: o Passarinho, o Buffo, o Márcio, o Bélix, o Arnosti.
Todas as histórias que o Rocha narrou no espaço Ex-Sic de forma muito competente eu estava lá, já que fomos contemporâneos.
O futebol era outro ponto importante de grandes recordações. Joguei na Seleção de Médios, com Bizari, Laércio, Sales, Arnosti, Gerson (de Limeira), Buffo, Renato, Arthur, Rocha, Manoel, Caritá II, Peter, Correa, Pavan e outros. Também participei do seleto time do Corinthinha organizado pelo Paulo Afonso Proença Passarinho (falecido penso que em 1967 quando servia o BCCL quando arrebentou a sapata de um carro de combate provocando o acidente no qual perdeu a vida). Digo seleto porque o critério de escolha era pela amizade, além de saber jogar futebol, pois era e sou palmeirense. Lembro que nesse time jogava, além do Passarinho que era o dono e o ponta-esquerda do time, o Anilton Teberga, o Wiziack, o Davi, o Amstalden I, o Delgado (Piuca).
Havia um pessoal muito bom de música. O Cutuba (organista-mór), o Douglas também tocava bem piano. O Gesse era bom no violão e o conjunto musical que explodiu com a música Terezinha. Lembro que o Sawaya era o baterista e o Ditão saxofonista, além de ser o principal árbitro de nossos campeonatos internos. O Leôncio e o Caritá II certa vez formaram uma dupla. O Leôncio tinha um caderno com letras de músicas. Havia um grupo que gostava de poesia, dentre eles o Dutra e o Silvestrim. O Valim era um exímio orador da Academia T. de Aquino. O Benine, um fora de série no teatro.
  • Cite um personagem com quem conviveu na época e que o impressionou positiva ou negativamente.
Não lembro que alguém tenha impressionado negativamente. Positivamente foram vários: Mons. Luiz de Abreu, Padre Vanim, Padre Hugo, Padre Gaspar, Irmão Agostinho (do Latim), Padre Sena, Padre Leite, Mons Bruno (apesar de tremermos quando se anunciava sua presença, que nem sempre era anunciada, mas sim surpresa!), Cônego Luiz (não gostava de perder no ping-pong, mas era um grande contador de histórias), a Irmã Leonor, a Irmã Beatriz e a Irmã Tereza (professoras), os professores Luiz Rasera (até hoje não esqueço sobre um texto sobre a amizade que ele deu em francês de Antoine Saint Exupéry extraído de Terra dos Homens), o João Batista e o Lopes. Vários colegas de boas lembranças já citei no decorrer da entrevista.
Certa vez fui ao oftalmologista e quem me acompanhou foi o Paulo Aurélio Venturoli.
Já na minha vida profissional pude conhecer o Faur que foi diretor da Faculdade de Psicologia de Itatiba (Franciscana). Conversávamos sobre a vida de Seminário algumas vezes, e lembro-me que com Faur foram ordenados mais 13 padres (entre eles o Padre Canoas, o Padre Tinoco, o Padre Gastão) na Catedral de Campinas pelo Dom Paulo. Fui ministro do paramento (segurava os paramentos para o arcebispo) uma época, mas não me recordo se nessa ocasião ainda ou já havia sido. Infelizmente o Faur faleceu em plenitude profissional (sem contar é claro seus predicados de pessoa humana). Também, tive convivência com o Bruno Pucci na UNIMEP e um dia eu lhe disse que ele não me era estranho. Pois bem. Bruno foi Padre Estigmatino e várias vezes foi jogar no Seminário. Nós também íamos a passeio no Seminário deles onde havia um lago e um campo de terra. Hoje o Bruno coordena o Pós-Graduação em Educação da UNIMEP.
Nós recebíamos cadernos de capa amarela em cujo miolo havia escritos e desenhos sobre o átomo. Então eu chegava ao Lúcio (não sei se ele se lembra), pois não conseguia entender aquilo e pedia que me explicasse. Então, o Lúcio, sempre paciencioso, pegava uma folha seca de árvore e começava a cortar em pedacinhos até ficar com um pedacinho na mão e dizer que o átomo era a menor parte constituinte da matéria. Fácil de entender?
  • Sobrou alguma mágoa? Qual?
Não.
  • Se voltasse no tempo iria novamente para o ex-SIC? Por que?
Voltaria, mas não sei dizer o motivo. Foi um aprendizado e tanto. A vida no Seminário proporciona muitos momentos de solidão. Esta pode ser renovadora e alicerce de construção de valores. Ficar sozinho, longe de familiares, de apoios específicos que somente a família pode fornecer, pode ser uma fonte de amadurecimento (às vezes precoce). Mas, faria tudo novamente. Ter sido seminarista é um predicado que somente acrescenta positivamente em minha trajetória de vida. Percebo que em várias situações esse predicado abriu portas. Sabemos, todos nós, que o Seminário, se analisado por um vértice de fora dele, há muitas críticas. Mas, tais seriam injustas, pois agora somos bem mais críticos de quando estávamos lá. O Seminário não era o País das Maravilhas (em muitas ocasiões era o contrário), mas possibilitava um ingrediente fundamental para o crescimento interior (e que a juventude hoje está muito carente): o aprender a adiar (vejam bem, é ADIAR e não outra ação verbal completamente diferente e oposta). O Seminário, em suma, mais contribuiu com a formação do que atrapalhou.
  • Quais as principais mudanças que a entrada (e/ou saída) do seminário provocou em você?
Penso que respondi no decorrer de outras perguntas e especialmente na precedente.
  • Dedica-se à Igreja Católica atualmente?
Não.
  • Qual sua relação com a religião atualmente?
Ocasionalmente vou à Missa, quando sinto vontade de ir.
  • Como você compara a sua religiosidade daquela época com a atual?
Embora distante da Igreja, considero-me hoje mais religioso do que à época que tinha que ir à missa diariamente, por exemplo. Como já mencionou um colega em entrevista passada, nós convivemos no Seminário em meio à mudança do Concílio Vaticano II. Pensava numa reviravolta, mas parece-me que foi como um fogo de palha e que não se sustentou. Parece-me que a Igreja vive um outro ranço, embora diferente daquele da época legado por Pio XII. Considero que João XXIII foi o Papa mais sábio da Igreja nos últimos séculos, mas não teve sucessores à altura para conduzir em essência suas propostas de reformas. O Waldemar Sibinelli disse que a Igreja pisa na tábua e puxa o breque ao mesmo tempo e concordo com ele. O discurso da Igreja parece progressista, mas as ações que são ressonantes a esse discurso são sempre cerceadas. Quando há poder em jogo, tudo fica difícil. A Igreja tem poder? Qual? Hoje o Papa Benedicto faz um discurso mais antiquado ainda, mais de controle que de abertura. Parece que Papas Pastores independem de sabedoria acadêmica, mas são aqueles que aprenderam na vida.
  • Como você compara a Igreja Católica daquela época com a atual?
Penso que a Igreja de ontem tinha muitos problemas, graves inclusive. Mas, havia muito de positivo também. Alguém já mencionou e explicou aqui sobre a Liturgia nesse ponto. Os padres procuravam fazer não só crescer na questão da graça, mas também na de obras. Hoje, a Igreja teria condições de fazer muito e muito mais, mas parece bloqueada. Num domingo, 11 horas da manhã, aqui no interior, ganha um prêmio quem achar uma Igreja aberta. E nos dias de semana, então? Encontrar o padre, nem pensar! É mais fácil acertar na mega-sena. Há o dia certo de ele atender os fiéis. É preciso agendar, vejam bem, agendar se alguém deseja conversar com um padre. Há, assim, o dia certo do fiel necessitar do padre. O fiel que se vire. O padre se nivelou a um profissional liberal ou a um executivo de uma grande empresa. Na minha concepção, pode ser que esteja enganado, padre não é profissão. Ultrapassa isso. Essa secularização que cheira à empresa é muito nociva para a Igreja e vai de encontro com a Palavra. Na década de 60 a igreja ficava aberta o dia todo, o padre disponível. Isso, por exemplo, foi uma grande perda. Fico arrepiado quando vejo pela TV que o altar se transformou num palco, onde a figura central não é o sacramento, mas os atores que ali estão e que parecem desempenhar um papel todo coreografado.
  • O que você acha dos reencontros com os ex-colegas do ex-SIC?
Infelizmente não pude participar ainda, apesar dos convites. É boa a iniciativa de rever velhos companheiros. Faz bem para a saúde mental. Posso garantir isso!
  • Alguma sugestão?
Nenhuma.
  • Qual pergunta você gostaria de ter respondido e que não foi feita?
Nenhuma. E desculpe-me se fui excessivo. Aprendi a escrever e ter gosto pela escrita no Seminário.
  • Há algum outro endereço na internet que tenha mais informações sobre você? Algum "link" que você queira divulgar?
Se algum colega quiser ter acesso a textos sobre a questão das drogas, basta digitar josé antonio zago álcool drogas no google (e clicar), pois alguns deles estão disponíveis na Internet. Quem sabe algum colega deseja abraçar essa causa também!
  • Alguma mensagem especial aos outros ex-SIC?
Meus cumprimentos pelos que tiveram a iniciativa de proporcionar esses re-encontros e essas buscas, no sentido de reunir nossos irmãos dispersos. Ficamos contentes com a maioria das notícias, sabendo que essas pessoas especiais estão de bem com a vida. Às vezes ficamos surpresos e tristes com alguma notícia, por exemplo, o falecimento do Véio. Era um grande contador de histórias e todos da classe o admirávamos por essa e muitas outras qualidades que possuía.
Peço permissão para reproduzir uma parte da passagem de Terra dos Homens (1939) de Exupéry:
“A vida nos separa dos companheiros e nos impede de pensar muito nisso. Eles estão em algum lugar, não se sabe bem onde (…).
Mas pouco a pouco descobrimos que não ouviremos nunca mais o riso claro daquele companheiro; descobrimos que aquele jardim está fechado para sempre. Então começa o nosso verdadeiro luto, que não é desesperado, mas um pouco amargo. Nada, jamais, na verdade, substituirá o companheiro perdido. Ninguém pode criar velhos companheiros. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantas horas más vividas juntos, de tantas reconciliações, de tantos impulsos afetivos. Não se reconstroem essas amizades. Seria inútil plantar um carvalho na esperança de ter, em breve, o abrigo de suas folhas.”

José Antonio Zago


"É boa a iniciativa de rever velhos companheiros. Faz bem para a saúde mental. Posso garantir isso!"

Ele tem autoridade de sobra para garantir isso.

Comentar as entrevistas dos "velhos companheiros" também. Pode não fazer tão bem quanto revê-los, mas que ajuda, ajuda. Isso eu, sem autoridade alguma, garanto...rsrsrs. Só não esqueça de identificar-se caso comente como anônimo.

Já estão se esgotando as entrevistas a serem publicadas. Se ainda não atendeu nosso convite para participar como entrevistado, faço-o o quanto antes. Todas as respostas recebidas até 15/dez/2010 já foram publicadas. Se você respondeu antes desta data e ainda não foi publicado, avise-me, por favor.

Até a próxima semana

J. Reinaldo Rocha(62-67)

13 comentários:

  1. Muito legal a entrevista, achei sem querer no alerta do google. Admiro o Zago e o tenho como amigo, mas não sabia desse detalhe de ter cursado o Seminário, e, principalmente com meu tio José Rubens Butti. Parabéns
    Humberto Butti
    Jornalista, Itapira-SP
    humbertobutti@hotmail.com
    http://humbertobutti.blogspot.com

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  2. Zago, bom dia!
    Foi muito bom ter lido sua entrevista. Entramos juntos para o seminário. Fomos colegas de classe nos dois anos em que lá permaneci. Lembro-me bem de você quando falávamos do nosso Palmeiras, (que draga que está hoje, não?)... de quando participávamos dos jogos de futebol...
    Me fez relembrar tantos momentos; contou que também você era um dos pirralhos que como eu, recorríamos à paciência do Lúcio; na minha entrevista citei o "paternalismo" do Lúcio. Sua entrevista me fez saber que o Butti, nosso contemporâneo chegou a ser ordenado (fiquei sabendo de sua morte, mas não que ela ocorrera em meio à vida sacerdotal). Me fez saber também como foi a morte do Paulo Afonso Passarinho.
    Parabenizo você pelo seu trabalho junto aos dependentes; que Deus o abençoe muito em seu trabalho.
    Também eu não tive oportunidade ainda de rever os ex colegas nos encontros programados. Quem sabe um dia a gente ainda se encontre.
    Fortíssimo abraço
    José Fernando Crivellari
    fernando.crivellari@ig.com.br
    1961/1962

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  3. ZAGO:Tenho certa lembrança de voce no período em que lá também estive(63 a 65).
    Revendo as fotos do pessoal no futebol(os médios),acho que sendo eu dos menores, nós tínhamos alguns contatos.
    Com muito conteúdo sua entrevista.Parabéns e que num próximo encontro dos ex.voce compareça.
    abraços,

    DURVAL.

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  4. Sobre o trecho: "Conversávamos sobre a vida de Seminário algumas vezes, e lembro-me que com Faur foram ordenados mais 13 padres (entre eles o Padre Canoas, o Padre Tinoco, o Padre Gastão) na Catedral de Campinas pelo Dom Paulo. Fui ministro do paramento (segurava os paramentos para o arcebispo)"

    recebemos a seguinte mensagem:

    "O Faur não faz parte do grupo de 13 padres ordenados por Dom Paulo... E não eram 13, mas 10: Canoas, Tinoco, Gastão, Jorge Velho, Magalhães, Boltes, Sinval, Ercílio Turco (bispo), Couto, Vasconcellos.

    É isso aí, contribuindo para a história...

    Att.

    Padre Magalhães"

    Grato ao Pe. Magalhães pela contribuição

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. No nosso site: http://sites.google.com/site/exsicampinas na Página Personagens estão dois documentos que obtivemos na Curia e na Tese do Pe.Meschiatti. O primeiro cita as ordenações a partir de 1962. Está ainda faltantando a ordenação do Daólio. Agora, o segundo documento também é interessante: a debandada geral também a partir de 1963 que cf. documento foram 20. Isso ainda me aguça a curiosidade histórica, que os colegas ex-padres ainda não analisaram de forma conjunta apenas cada um por si. Qdo. um padre deixava a batina sempre caia na boca do povo: vai se casar. Mas acho que nessa época houve algo mais. Seria apenas culpa do Concílio?
    grego

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  7. Olá, meu bom amigo Zago. De fato não me lembrava mais da dissecação da folha seca, rsrs. Eu me lembro que depois das aulas de ciência do Padre Sena, eu saía a dissecar folhas, mesmo flores, procurando observar as partes componentes delas, e assim por diante. Mas, me sinto feliz de recordar que vc era um dos que se achegavam para participar de minhas explicações aleatórias. Gostei de sua entrevista. Vc me troxe à mente o padre Mateus. Ele foi meu Padre Ministro, antes do Vanim. Você não se dedica à Igreja Católica, atualmente, vai à Missa, ocasionalmente, quando tem vontade. No entanto, seu trabalho é uma prática da verdadeira religiosidade, trabalhar com os dependentes químicos, buscar a promoção da Pessoa. Há sempre um gesto concreto que se pode fazer, sem hipocrisia. Vc falou bem de João XXIII. Que tal João Paulo II? Mas "Benedicto" já estava nos bastidores, rs...
    Amigão, um abraço do Lúcio e até o próximo encontro.

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  8. Zago, sou de outras épocas, não me lembro de você, devia ser criança quando eu aparecia pelo Seminário. Tenho tentado enviar comentários sobre sua entrevista, mas não vai, ignorância ou falha . Gostei muito. Entrei na sua paágina e encontrei uma infinidade de artigos excelentes sobre seu trabalho com drogados. Aqui em Manaus, trabalhamos na Fazenda Esperança com recuperação de viciados. Seus artigos srã iportantes. Um abração. Herminio - Manaus 20/1/11herminio@vivax.com.br

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  9. Caro colega, Zago,
    sua foto(já que não tivemos o privilegio de vê-lo pessoalmente nos nossos encontros) é muito fiel à sua visão de mundo.
    Muito bom saber que você se dedica a um dos grandes desafios de hoje que é a educação e o assedio do mundo cruel, especialmente, o do vicio das drogas. Tenho, infelizmente um caso na minha familia e todos os esforços foram em vão para recuperar um sobrinho desde 14 anos envolvido. Hoje o que sobra é o efeito do tempo, este mesmo tempo que amadurece os homens e muda sua vida.
    são tantas coisas para compartilhar que só nos resta esperar que possamos nos ver no proximo encontro(Grego - tá na hora de dar o chamado).
    grande abraço e que possamos desfrutar do maior tesouro da vida: os amigos.
    Gessé.

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  10. Inicialmente devo confessar que não esperava todos esses comentários sobre a minha Entrevista. Fico muito grato aos que a comentaram. Em cima desses comentários, faço algumas considerações.
    Sabem que cometi uma grande injustiça (não sei se esse é o termo). Respondi a Entrevista e não quiz mais mexer, porque as respostas foram muito espontâneas. Apenas corrigi a data de entrada e saída do Seminário. Mas, como pude esquecer do Caio (até carona com ele e os pais dele peguei em retorno de férias para o Seminário)! Luiz fernando Caio foi um seminarista exemplar, embora não fosse de relacionamento cotidiano comigo, pois era menor, ele médio; depois passei a médio, ele a maior. Há muitos anos que não vejo o Caio; é médico e reside no Paraná. O Caio gostava muito de ajudar o Pe. Sena na criação de coelhos. Agora, a minha dúvida é a seguinte: penso que Caio começou a engajar em música, teatro, etc. a partir de 65. Ou estou enganado? O Mateus sempre se envolveu com literatura. O Circular (primeiro jornal do Seminário impresso e que de fato circulava (até então eram jornais murais)) deve ter começado em final de 64. O Irmão Lima era um mestre no mimeógrafo a tinta, em diagramação e desenho. Ele quem coordenava a impressão do jornal, se não me engano, bem como ele quem providenciava a impressão dos textos lidos na Capela (Oração da Manhã, da noite, etc.). Pe. Lima, mais tarde foi pároco em Itapira. Até hoje um dos jornais da cidade publica poesias suas. Quanto a foto, anexa ao e-mail que recemos do Grego, o Pe. Butti é o quinto em pé da esquerda para direita, o último é o Nereu, também de Itapira. Era um domingo de manhã, pór volta das 8 horas, ainda na cama, liguei o rádio e estava dando a notícia do falecimento do Pe. Butti. Na hora fiquei sem saber, achando que havia engano na notícia. Pe. Butti era pessoa de bom físico, esportista (Corinthiano roxo, embora neto de italianos). E realmente, morreu de enfarte. Uma grande perda. Da turma do Butti, penso que que foi dela, de minha época de Seminário, que mais seminaristas se ordenaram: Butti (antes de ir para Araras foi coadjutor em Itapira), Veríssimo foi pároco em Itapira), Malvestiti, Isael (que era com o Malvestiti o farmacêutico do Seminário. Isael era também bom goleiro;da Seleção dos Maiores; depois cedeu seu lugar para o Delmo e este para o Jamil Sawaya) Divino e Jacinto (foi pároco em Itapira).
    Continua no próximo bloco.
    Zago.

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  11. Caro Humberto Butti, sobrinho do inesquecível Pe. Butti, na minha cabeça a questão de ter sido seminarista é tão óbvio, que não me cobro de passar aos outros. Ter sido seminarista é para mim uma qualidade positiva e ficar falando sobre ela seria falsa de modéstia. Essa qualidade me abriu portas, como referi na Entrevista. Fico contente com a sua participação. também lhe admiro como profissional da imprensa, você que foi, entre muitos veículos de comunicação que trabalhou, o grande comentarista esportivo da CBN,e comentou nosso palmeiras Campeão das Libertadores. Mas, a dmiração mesmo é pelo seu trabalho sério, honesto. Estudei com seu tio, Pe. Butti. Eu niniciando o Seminário e ele praticamente de saída para fazer Filosofia em Aparecida. Mas, teve um fato que nunca me esqueço. Em 62 ou 63 o Seminário fez um passeio em Itapira. Todos os seminaristas participaram da Missa das Nove, celebrada pelo Pe. Mateus na Igreja de santo Antonio. Foi um evento inequecível. Não sei se alguém ou a própria paróquia possui fotos desse evento, único. Na parte da tarde a seleção dos maiores do seminário goleou a equipe dos Veteranos de Itapira por 5 x 2. Jogaram o Delmo, o Pe. Vanim, o Butti, o Ferraro, o Vicentim e outros. Mas, o Pe. Butti foi o grande nome naquela tarde no Chico Vieira que estava lotado. mas, precisamos nos encontrar para pôr a conversa em dia. Um abraço.
    Prezado Crivellari; até eu estou melhor que a draga de nosso Palmeiras. Lembro-me nitidamente de vc. Participamos várias vezes do mesmo time em vários campeonatos internos e vc sempre fazia muitos gols. Abçs.
    Realmente, fui traído pela memória. Sempre pensei que o Faur estava naquela turma que se ordenou. Tinha dúvidas de queram 13 ou 14. ,as, agora o Pe. Magalhães esclarece. Obrigado. Fui consultar outros documentos que o grego cita e realmente o Faur é depois. Obrigado.
    Mas, o Lúcio. Que alma boníssima. pensava, quando emnino,que se o Lúcio não fosse padre (na minha época de Seminário isso seria uma conquista; quem atingisse o sacerdócio seria considerada especial. Contudo, lendo os documentos expostos no Ex-Sic, parece que nossos próprios superiores buscavam um conceito de vocação. Nesse documento parece que vocação estava mais para o aprendizado que para o "chamado"). Lúcio: sempre o admirei pela sua bondade, paciência, atenção. Se alguém entre aquela centena de pessoas deveria ser padre, vo seria o primeiro na minha ótica. Quando li sua entrevista, para mim ficou claro que o que fizeram com vc foi, desculpe o termo, pura sacanagem. isso existe, infelizmente, na Igreja, entre as pessoas que dirigem a Igreja, embora, diga-se, uma minoria. Mas, que existe, existe. vc foi sacaneado. Não liga não, nem se ressinta disso. Não é o hábito que faz o monge. Não é nosso hábito que nos sustenta (isso pode durar um pouco, mas não sempre). Por isso Lúcio,para mim vc continua com todos aqueles predicados (melhores ainda com a experiência de vida). Continue assim. Quanto a João Paulo II, além de gostar de viajar, seu discurso era prá frente, aberto; mas suas ações ..., nem tanto. Só para lembrar, dois fatos: Calou a Teologia da Libertação e impôs silêncio, via Benedicto que na época era o dono do Malleus malleficaram moderno, ao Leonard Boff. Vamos ganhar mais um beato. de boas intenções o inferno está cheio. Até para para a eviência de ser santo requer política. Ou o vaticano nada tem de política? Lúcio, um fraterno e sincero abraço a vc e família.
    Continua no próximo Bloco.
    Zago.

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  12. Bem, Hermínio. Fico muito grato com sua atenção. Nesse trabalho com dependentes somos, a rigor, uma gota no oceano. Mas, veja bem, para muitas pessoas, felizmente, essa gota tem feito a diferença. Por isso vale a pena. Persista nesse caminho de ajuda, seja perseverante. Às vezes, quando estou comigo mesmo, em momentos difíceis de minha vida profissional (que acaba invadindo a vida pessoal) penso que Deus pensou "não quero vc padre. Vou lhe dar uma missão mais difícil!" Desculpe a pretensão, porém, somente quem trabalha com dependentes de drogas sabe o quanto é custoso, o quanto é frustrante e quão poucas alegrias. Por que escolhemos isso? Para ser padre, seríamos chamados, entretanto, para ajudar um dependente somos o quê? Que nos leva à essa "escolha"? penso que o dia que descobrir, caba inha missão. Toda a profissão de ajuda, é uma reparação. Ou não? Para quê? Ou para quem? Mas, com isso tudo, me sinto pleno como pessoa, como profissional. E é isso que mais conta.
    É muito provável que nos encontramos muitas vezes no dia a dia do Seminário Durval. Meu abraço a vc e família.
    O Gessé era o melhor aluno da turma. Bom em tudo que fazia. Era também o mais amadurecido. Sentava no fundo da sala sempre ao lado do Tibá (lembra dele? De Indaiatuba. Todos os sábados ele lavava o fusca do mons. Bruno), do Véio e do Zé Maria (Limeira). Gessé impressionava também com o violão. Ele dedilhava como ninguém uma música de sucesso na época "A Casa do Sol Nascente", do The Animals. Gostava também de tocar músicas de Peter, Paul and Mary (Five hundred miles, Puff,)que era a marca registrada do Gessé. O Bate-Pau de onde Gessé veio não era muito diferente da Itapira de onde saí também. Mas, fiquei ligado quando o Gessé contou que viveu a turbulência do final dos anos 60 quando estudava na USP. Eu gostaria de estar lá também.Isso é fazer História. Caro Gessé, sempre na ponta e continue assim. Aliás, Gessé, os Anos 60 e os Anos 20 foram os anos de mudanças radicais no mundo.Dentre muitas coisas, além da conquista da Lua, o rítmo da vid mudou, inclusive da própria música, da pílula, etc. O Grego pergunta o motivo de muitos padres deixarem a vida sacerdotal. O próprio Concílio Vaticano II prenunciava mudança. A época era de mudança. Parece que há um clima no mundo, nessas épocas, para a udança, para as rupturas. Não sei se vc se lembra, mas o Seminário também fez um passeio em Iracemápolis (aos moldes do passeio de Itapira e na sua terra jogamos a seleção alvi-celeste jogou contra a Usina Iracema, cujo uniforme era igual ao do Palmeiras). Pouco tempo depois, aos cochichos, ficamos sabendo que o Padre Tobias de Iracemápolis havia abandonado a batina. Foi a primeira vez que tinha ouvido isso e fiquei atônito. O mesmo padre que pouco tempo atrás nos recebera, celebrara a missa, etc. Parece que "o espírito do tempo", que os alemães chamam de Gestgeist (não sei se a grafia está correta)possibilita que um nível de decisão seja tal que impulsiona à mudança. Esta, por sua vez, outra... e assim por diante, como se fosse um efeito dominó. Parece que tudo "conspira". Parece que a coragem de um contamina outro.
    Mas, quem sabe é um papo para o próximo Encontro Ex-Sic. Abçs. do Zago.

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  13. Dr. Zago,
    Muito bom saber que o senhor está bem. Me chamo Fabio Miranda, residia em Barra Mansa (interior do RJ) e atualmente resido em Cabo Frio, também interior do RJ. Estive em tratamento contra drogas no Bairral por 3 vezes, sendo que a última (09/03/1989), consegui minha total recuperação. Já fazem 21 anos...
    Sempre penso em ti como meu salvador, aquele que me deu uma outra expectativa de vida que eu não tinha e com certeza, tu faz parte de minha recuperação. Hoje eu me sinto totalmente liberto de todos os vícios. Agradeço muito a Deus por ter te colocado em meu caminho e lhe desejo toda saúde do mundo.
    Muito Obrigado.

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