sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

VOCÊ AGUENTARIA ?












Essas são as únicas fotos que dispomos do refeitório e da cozinha.
Observem o quadro em relevo da Santa Ceia.
Nessa foto deveria ser dia de festa, com o pessoal de terno e toalhas nas mesas.
Esse fogão era a lenha que seu Fernando cortava todo dia lá atrás do campo. O vapor deveria também esquentar a água dos chuveiros em cima, mas isso nunca foi concluido.
Você aguentaria um Internato?
RECORDANDO – AS REFEIÇÕES

Nessa semana que passou eu estava conversando no telefone com o Raul da Rocha Medeiros, da turma de 1959.
Ele mora em Peruíbe e planta palmito. Outrora plantava banana.
E falamos da alimentação no SI. Muitos achavam péssima, mas é um dos assuntos que dá muita conversa.
Em 1965, ano em que cheguei, aos 12 anos de idade, as mesas eram arrumadas juntando duas, para 10 alunos.
Eu era de origem rural e a minha alimentação formal, além do arroz com feijão, era viver apanhando frutas nas árvores.
No SI havia hora para comer e não havia variedade.
A alimentação básica era o arroz com feijão, que para quem tem fome, quentinhos, a melhor comida do mundo.
Aos domingos, macarronada. Uma vez ouvi Mons.Bruno dizer que era para adicionar um pouco de outras vitaminas na alimentação.
Nunca vi lá um bife inteiro. A carne vinha cortada em pequenas tiras. Uma bandeja cheia.
Além dessa carne, que não era todo dia, muita mandioca, cará, batatinha e verduras da Helvetia.
O jantar, todo dia, começava com uma sopa.
O café da manhã tinha a particularidade de ser após a missa, todinha em jejum, cacetada...dava um nó na barriga...
Mas em 1965 cada mesa recebia um “bulão” de café com leite, já adoçados e uma pão com manteiga.
No ano seguinte foi cortada a manteiga e foi um sururu de muita gente trazendo latas de manteiga de casa que ficava naquela geladeirona na copa.
Durante o dia dois lanches: as 10:00 h, no recreio das aulas e as 15:00 h antes dos esportes. O lanche tinha duas modalidades.
Uma era o que era dado nos pátios e se resumiam a um caixote de laranja ou banana. As vezes as freiras, preparavam um pão com mortadela, mas se vc chegasse atrasado....babau...ficava sem...
O outro jeito era no refeitório. Sopa de pão no leite, cará em calda, ou uma banana nadando em um melado....
Credo! Até hoje não como banana senão ao natural e não muito madura....de resto...detesto...
Se perdesse os lanches, a alimentação ficava restrita as 7:00h manhã, 12:00h e 18:00h.
Pe. Sena, a quem me sentia ligado por ter-me batizado quando fora pároco aqui em Limeira, ao cruzar comigo dizia:
- Você é muito magrinho, precisa comer mais feijão.
Mas para variar não poderia esquecer do famoso pãozinho com leite da noite.
O Raul disse que no tempo dele já havia, mas quem ativou esse negócio foi o Pe. Faur. Ele chegou no SI em 1966, substituindo o Pe.Vanim, como Diretor de Disciplina.
Primeira mudança: esporte, dia sim, dia não. Caramba! A melhor coisa do SI....mas e os outros dias? E daí o Felício questionou no jornal O Circular: é permitido treino da seleção em dias de atividades?



Atividades. Todo mundo deveria fazer alguma coisa útil, menos esporte. E começou a inventar o que fazer.
Encadernação com a Irmã Paulina, Fabricação de Vasos com o Zani, Fábrica de Velas, não me lembro quem mexeu naquilo. Uma turma ia para a Helvetia, o João Mário dava aulas de datilografia para uma meia dúzia. O Professor Daólio, “formado em cinema no Seminário do Ipiranga”...hummmm!!! andou juntando Mostardinha, Enio e uns cupinchas,rsrsrs...que inclusive deviam buscar filmes na Escola São José e passar aos sábados pra nós. Bons Tempos!
E a turma do pão e do leite. E se falava muito da sacanagem que os caras faziam na massa do pão. Pra quem, as 21:00h estava morrendo de fome, não estava nem aí, era uma delícia....Mas o Raul agora me confirmou que realmente o pessoal mexia o leite com os braços....e....deixa pra lá. O Guerreiro, um dia fez uma aposta para ver quem bebia mais copos de leite. Beberam 10. Não me lembro do oponente senão que o Faur foi chamado quando começou a vomitar....!

Serventes: Toda semana saía a lista dos serventes da semana. Uma turma de uns 10 que devia pegar as tijelas na copa e levar para as mesas. E aturar os maiores e comilões que viviam enchendo o saco, principalmente d´agente que era menor, fazendo com que percorrêssemos as mesas atrás de sobras. Principalmente da sopa, no jantar.
O detalhe é que os serventes comiam depois e além da sua comida, ia também reservando na mesa deles o que conseguiam e se banqueteavam depois.
Serventes-extras: acho que mais uma invenção do Faur. Um grupo de menores que era escalado para ajudar a Irmã Nice, depois das refeições, para limpar as mesas. A gente perdia um tempão dos recreios e não tinha lucro nenhum.
A doçaria: em 1965 o seu Fiori, lembram-se dele, aquele senhor chato que fazia um pouco de tudo, estava terminando o piso do pátio dos menores e o barzinho. Todo azulejado de branco. Ao lado uma porta que acessava a doçaria, onde ficavam os doces guardados em um armário com cadeado. Nos recreios os “doceiros” punham tudo no barzinho: doce de abóbora, cocada, amendoim, maria-mole, paçoquinha, etc.
Engraçado, acho que a gente só escovava os dentes a noite, não é? Os dormitórios ficavam fechados até a hora dos esportes.....????
Por fim resta lembrar que os empregados tinham o seu refeitório, os professores também tinham o deles, mas ....
O mais famoso era o refeitório dos padres. Cuidado pela Irmã Antonieta, uma freira de 1,90m.
Lá havia uma famosa geladeira e uma mesa onde a coitada deixava com carinho algumas coisas para os padres!!!???
E para quem assaltasse, na calada da noite....

O SI era gostoso por causa disso: muita disciplina e uma terrível imaginação para driblá-la.
E quantas histórias... que ficam por conta dos caros amigos....

grego

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